
Voltei a fazer os “estágios”, apesar de jogar com os meninos relativamente com freqüência. Tentei me reaproximar das minhas duas amigas da primeira e segunda série,e consegui, mas elas estavam diferentes. Elas eram de outra sala, e na sala delas entrou um menino que uma delas gostava, e andava sempre com elas. O amigo deste menino, que era do meu ônibus antes de eu mudar para o do meu melhor amigo, começou a gostar de mim e – coisas de criança – ficava me seguindo direto, todos os recreios. Era eu e minhas amigas e os dois atrás.
Até que um dia o amigo dele pediu pra “namorar” minha amiga e ela aceitou. Quando eu fui esperá-las na porta da sala delas, o “namorado” da minha amiga falou que o amigo dele também queria ser meu “namorado/ficante”. Hesitei, mas no mesmo segundo minha amiga falou: ”È só que nem eu e ele, não é bem namorar...” Aí eu falei que tudo bem, mas até hoje não sei bem o motivo, eu não gostava dele, não era apaixonada por ele como ele era por mim. Ele nem era tão bonito. Acho que aceitei mais porque ele era um dos únicos meninos legais comigo, e eu tinha bastante atenção dele. Não me lembro de ter dado um sequer beijo na bochecha dele, sequer na boca. Não devo ter nem encostado na mão dele. Nosso “namoro” era a base de cartinhas e presentinhos.
Quando contei para minha mãe, por um bilhete colocado embaixo da porta, e escrito “confidencial” na parte de fora, ela logo foi espalhar para a família inteira. Não demorou nada para a encheção de saco por parte da família, e deboches na escola, começarem. “Ai traga ele para almoçar!”, “Vocês trocam bastante cartinha?”. E ele era ruivo, então sempre o chamavam, em casa e na escola, de “enferrujadinho”, “foguinho”... Fiz meu aniversário na chácara do meu avô, chamei todos os meus amigos, o “namorado” da minha amiga e ele. E, claro, a família toda queria saber quem era, e se era bonito, e educado, e se “aprovavam” e blá blá blá. Um saco!
Foi neste mesmo dia que ajudei minha amiga a dar o primeiro beijo dela. Ajudei como? Não pense besteira! Eu fui com ela e o “namorado” dela para um canto que não tinha ninguém e que ninguém ia, mas meu tio e meu priminho apareceram perto, então fui “despistá-los”. Fiquei sabendo depois que eles tinham se beijado.
Depois de três meses o nosso “namoro” acabou. É, aquilo que não tinha começado e nem acontecido acabou. Pelo que eu lembro, foi porque minha amiga descobriu que ele ia “terminar” comigo e me contou, conversei com ela e decidi dar um pé na bunda dele antes de tomar um.
Historinha boba, namorico de criança, mas é o que aconteceu, resumindo.
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Ósculos e amplexos...