
Sexta série. Sala nova, alguns professores novos. tutora (professora que acompanhava a gente no período da manhã) nova. Alguns amigos novos, outros ‘’amigos’’ novos. Nada muito diferente dos outros anos. A encheção de saco continuava e aumentava. Xingamentos e ofensas vieram com os ‘’amigos’’ novos.
Uma coisa importante, que jamais esquecerei, aconteceu a partir da metade desse ano, a partir das férias de julho. Peguei um filme na locadora que, pode-se dizer, mudou bastante coisa. Não sei explicar. Sempre gostei de filmes de ação e aventura, aqueles que podem até ser chamados de ‘’filmes de menino’’, e por mais impossíveis que sejam as cenas de alguns, gosto bastante de assistir e viajar com eles – acho que tenho uma ‘’Sindrome de Herói’’ -. Peguei Lara Croft Tomb Raider. Claro, filme de ação com uma mulher foda e linda na capa, mas tudo isso no ‘’inconsciente’’, ou sabe-se lá onde. Uns tempos antes uma amiga minha tinha me chamado para assistir o mesmo filme no cinema, lembrei disso, o que ajudou na minha escolha. Impressionei-me, apaixonei. Depois de ver esse filme fui pesquisar mais sobre ele e sobre a atriz, claro. Mal sabia... A partir daí não fazia outra coisa no computador, era Angelina Jolie para cá, Angelina Jolie para lá. Sites e mais sites sobre ela. Todo o meu tempo no computador era pesquisando sobre ela, salvando fotos e mais fotos dela. Era a mais nova fã da atriz. Fã completamente apaixonada mesmo. Não pensava em outra coisa, não fazia outra coisa, minha vida era isso. ‘’Virei’’ canhota por ela também ser. Coisas até absurdas e, só hoje eu vejo, ridículas, muito ridículas. Por essa história de ‘’ser’’ canhota minha professora de matemática (uma das únicas professoras de matemática que já gostei e me fizeram gostar da matéria. Nunca esquecerei dela.) me deu uma ‘’bronca’’. Umas na verdade. Em uma prova minha ela escreveu: ‘’Escreva com a outra mão, fica melhor’’ ou algo assim. Um dia cheguei em casa e minha mãe estava no meu quarto estudando. Pediu para que eu pegasse um ‘’papel’’ pra ela na sala, embaixo do vaso de flores. Era a prova. ‘’Pronto, me ferrei!’’. Senti que ia levar bronca. Ela perguntou o que era aquilo e tudo mais, se estava fazendo aquilo por causa da Jolie, que não era pra eu fazer aquilo e mais tantas coisas e broncas que levei antes e depois disso, algumas tentativas de ‘’lavagem cerebral’’ e por aí vai...
Acho até que essa prova foi no dia que minha turma perdeu os jogos, que tinham todo ano entre as turmas, de futsal para a turma da minha amiga. Lembro que às vezes desenhava as tatuagens da Jolie nos meus braços - coisa de fã que não tem mais nada com o que se preocupar – e esse foi um desses dias. Jogamos e perdemos, chorei. Até meu pai tinha ido ver o jogo, era a final. Os inspetores todos torcendo para minha turma, me chamando na lateral da quadra para dar dica... Na outra turma tinha umas 4 meninas que sabiam jogar, na minha turma tinha só eu que jogava mesmo. Apesar das amigas da minha sala se esforçarem para jogar comigo, e termos jogado melhor que a outra turma, acabamos perdendo. Eu até tinha chamado minha professora de matemática, fanática por futebol, para assistir, eu estava otimista. A aula depois do nosso jogo era justamente a de matemática. Fiquei a fatídica prova, praticamente toda, chorando, até tomar uma bronca da professora que eu tanto gostava por ser apenas um jogo. Claro que estava chorando. Acreditava que, se minha turma ganhasse, os professores de Educação Física montariam um time de futsal feminino, como deveriam ter montado no ano anterior. Obviamente o tal time não seria montado nem que ganhássemos.
Enfim, acabou o ano. Mais um ano sofrido por causa dos meus ‘’amigos’’. Sozinha, como sempre. Férias. Mais tempo de computador. Mais pesquisas, comunidades no Orkut, fotos, fotos, informações, Orkut. E acabei conhecendo bastante gente por causa da Jolie, por sermos fanáticos em comum. Alguns muito mais importantes que o resto. Viramos amigos mesmo. Meus primeiros e únicos amigos de verdade até aquele tempo. Conheci aos poucos, desconhecidos, um por um. Primeiro uma menina da minha cidade, 3 anos mais velha que eu. Ela me mandou um scrap por ter me encontrado em muitas comunidades que ela também estava e começamos a conversar. Viramos melhores amigas. Ela já tinha uma melhor amiga, mas acho que eu acabei virando também. Passávamos horas conversando no MSN, vários e vários scraps no Orkut... Pouco depois, um mês ou pouco mais, conheci outra menina, pelo mesmo motivo, mas que não morava na mesma cidade que eu. E aí começaram meus ‘’amigos virtuais’’. Conheci mais alguns amigos por elas, todos de outras cidades. Dois meninos e mais duas meninas. Conversava horas e horas com eles, eles também conversavam entre eles, todos amigos uns dos outros, amigos de verdade. Nossas conversas não se resumiam somente a Angelina Jolie, conversávamos sobre tudo. Eram meus amigos verdadeiros, os únicos. Não largava o computador, e só largava quando meu pai brigava e me mandava dormir porque estava tarde. Um tempo depois conheci mais duas meninas, acho que não foi exatamente nesse ano, mas fazem parte desse capitulo da minha história.
Enfim, deve estar tudo muito confuso e bagunçado e resumido e com vícios de linguagem e uma droga, mas, como já mencionei, conforme eu for lembrando algum detalhe ou acontecimentos específicos escrevo depois em postagens futuras no blog. Apesar de demorar a escrever e atualizar aqui, pretendo manter esse meu canto por muito tempo.
Ósculos e amplexos...










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