
E foi em uma destas que acabei me dando mal por um tempo. Durante o período de “estágio” com duas “amigas” acabei ajudando-as a fazer muito mal à outra menina, que nunca fez nada à ninguém. Como? Acho que a brincadeira destas minhas “amigas”, e de praticamente toda sala, era se divertir à custa de xingamentos, musiquinhas, apelidos e companhia ilimitada a ela. Para entrar no grupo é claro que eu tinha que ser como elas, me arrependo e me sinto mal de pensar nisto até hoje, mas acabei entrando na onda delas. Como a outra menina era negra, as “brincadeiras” acabaram sendo levadas para o lado racial. Apesar dos pesares, não sou racista. Não, eu não estou simplesmente “tirando o meu da reta”, e vocês verão depois o motivo, mas em outra história...
Enfim, a diretora chamou nossas mamães na escola, não há dúvidas de que estávamos erradas, mas é claro que a queridíssima diretora aumentou a história. Depois de um grande dramalhão me afastei das meninas, óbvio, e aprendi também que não se deve deixar a diretora ligar pra sua mãe e contar a versão dela da história antes de você contar a sua.
Além disso tudo, acho que foi neste ano que começaram os “maria-macho” pra lá, “sapatão” pra cá, acho que ainda não incomodava tanto, mas tornou ainda mais difícil a minha adaptação nos grupos. Os meninos quase nunca me deixavam jogar bola com eles, por isso tive que fazer os tais estágios. Foi um ano muito longo, chorava muito quando chegava da escola, esperneava dizendo que ninguém gostava de mim, queria me matar.
Teve também o tal “estágio” com duas melhores amigas que eram legais, apesar de eu não me encaixar nas conversas e brincadeiras delas, nos dávamos bem...
Quase no final do ano, eu acho, fiz o melhor “estágio”. Uma menina da sala, também um pouco sozinha, que perambulava pelos grupinhos como eu, mas que era muito estudiosa e querida foi minha melhor amiga na terceira série inteira... Dávamo-nos super bem, brincávamos, conversávamos, jogávamos “paredão” com os meninos quando eles jogavam... Apesar de termos perdido um pouco o contato, somos amigas até hoje. E lembramos sempre da primeira e única vez que ela ganhou dos meninos e de mim no paredão.
...
Ósculos e amplexos...

3 comentários:
Nossa, essa coisa de ficar fazendo coisas que as pessoas do grupo faz só para ser aceita eu sei bem como é, hoje em dia eu (imagino que você também) sou bem mais centrada no que eu quero e com quero andar e não preciso mais fazer coisas para me aceitarem, enfim, também me arrpendo de ter feito certas coisas nessas épocas de "estágio", como você diz.
Um beijo
Lindo, lindo. Sabedoria e leveza, gosto disso.
Meus parabéns.
Um beijo.
É pelo menos fez uma verdadeira amizade :)
ps:que bom poder vir aqui...
beijos suaves;
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