
Depois de muito tempo sem escrever e algum tempo depois das minhas desculpas (‘’O Retorno!’’), volto com as ''Experiências de minha vida’’. Parei na quarta série. Não lembro muitos detalhes da sequência, da quinta série.
Alguns professores novos, diferentes. Alguns amigos novos, as salas continuaram praticamente as mesmas. Alguns ‘’amigos’’ novos. Nada diferente do que ocorre todos os anos: conhecemos gente nova. Não consigo lembrar nada muito importante que aconteceu esse ano.
Uma coisa que veio agora na minha cabeça, mas não tenho certeza. Não tenho certeza se uma professora, estagiária que virou muito amiga minha entrou na escola, como ‘’tutora’’, nesse ano ou no seguinte. Enfim, não lembro porque na verdade conheci ela mesmo algum tempo depois dela ter começado a trabalhar lá. Ela vai, com certeza, aparecer em mais alguns capítulos.
A única coisa que consegui lembrar mesmo que ocorreu nesse ano foi o time da escola, treinamento. Já praticávamos esportes na escola, tínhamos as aulas semanais e os professores acompanhando, mas isso era diferente.
Lembro do coordenador de Educação Física (que tinha sido nosso professor no ano anterior) entrando na sala logo no começo do ano e falando: ‘’Esse ano tem novidade pra vocês, que já estão na quinta série, são os treinamentos. Futsal masculino [óbvio], vôlei feminino [óbvio], basquete masculino [óbvio] e handebol feminino.’’ E o futsal feminino e o vôlei masculino? Como assim? Claro que esperei ele terminar de falar, né? ‘’São os times que representam o colégio nas competições com os outros colégios, quem quiser se inscrever para as seletivas vai na sala da Educação Física pegar o papel, e vou deixar aqui no mural o dia e o horário da seletiva de cada modalidade. Alguma pergunta?’’ Eu, claro. ‘’Professor, não tem futsal feminino?’’ ‘’Não tem.’’ Lembro que quase chorei quando ele falou isso, e falou sem as brincadeiras que ele sempre fez. ‘’Posso fazer futsal masculino então?’’ ‘’Não pode.’’ Lembro também dos meus amigos falando ‘’Ah, é só você dar um jeito de esconder o cabelo, fazer uma voz mais grossa e você vai lá jogar com a gente.’’ Dei risada, claro, era uma boa idéia, mas não funcionaria. Ri pra disfarçar meu nervosismo, minha raiva. Injustiça! Estava há mais de um ano pedindo para ele fazer um time desses de futsal feminino. Depois dessa tive certeza que ele não se esforçou muito pra conseguir o que eu tanto queria e tanto pedi...
Antes de sair da sala ele perguntou quem estava interessado em participar de qual seletiva, para ter no controle ou sei lá. Meus amigos levantaram a mão para futsal masculino, alguns para basquete, algumas para vôlei, e não lembro se mais alguém, mas levantei a mão para handebol. Pois é, não era o que eu queria, mas sempre gostei de todos os esportes e queria fazer parte de algum desses times. Entre vôlei e handebol preferia handebol. Gostava de handebol, mas não tanto quanto futsal.
Enfim, chegou o dia da seletiva, um sábado de manhã, minha mãe me levou e, claro, ficou por lá, assistindo. Bastante gente lá. Nesse horário eram as meninas do meu ano e as meninas um ano mais velhas, éramos da mesma categoria. Quando cheguei lá percebi que era uma coisa mais séria mesmo, que não era como quando jogávamos na escola, nas aulas de educação física. Primeiramente, era em outra unidade do meu colégio, no local do treinamento. Quando a ‘’atleta’’ chegava na quadra tinha a lista com as inscritas, então nos davam um papel com nosso número de inscrição – como em maratona, triátlon, olimpíadas, sei lá, essas competições que o atleta fica com um papel grudado nas costas -,para colar nas costas. Gostei, achei legal por ser uma coisa mais ‘‘séria’’ mesmo. Começou. Alongamentos, lançamentos, duplas... Os fundamentos todos do handebol. E alguns professores nos ‘’assistindo’’ e, com certeza, avaliando. Uma seletiva mesmo, como aquelas peneiras de clubes esportivos. Levei a sério, dei o melhor de mim, tentava fazer tudo certinho pra me escolherem. Colocaram a gente em times para jogar. Jogamos bastante tempo, acho que trocaram os times e tudo mais, mas o time que eu estava não tinha goleira, então ficaram revezando. Uma hora resolvi ir no gol, só pra brincar mesmo, afinal, já estávamos jogando fazia tempo então já tinham me visto jogando, fui brincar no gol um pouco. Mandei bem, não só na linha como no gol também. Sem nenhuma técnica de goleiro de handebol, mas mandei bem. Lembro que uma hora ouvi um professor falando para o outro: ‘’Essa menina é estilosa’’ ou algo assim. Me achei o máximo, claro.
Acabou a seletiva, e não lembro como fiquei sabendo, mas me chamaram para fazer parte do time. Uns anos depois, esses dias, descobri que fiquei em primeiro entre as meninas da minha categoria. Nem sabia que existia um ranking ou algo assim, mas achei no site do colégio esses tempos atrás.
Os treinos eram à noite, íamos depois das aulas com o ‘’ônibus do treino’’ direto para a unidade (um pouco longe da minha casa) que treinávamos, no mesmo dia e horário das meninas do vôlei. Acabei ficando como goleira mesmo, gostei mais e mandava melhor. Gostava de treinar, apesar de preferir treinar futsal a handebol. Mas meu pai não gostou muito da idéia desses treinos, reclamava que eu usava óculos e era goleira. Tentei jogar na linha, mas não dava, eu era muito pequena e não gostava tanto. Acabei fazendo um trato com meu pai e minha mãe. Combinamos que se eu saísse do treino de handebol eles me colocavam em alguma escolinha de futebol. Óbvio que parei com o handebol. E óbvio que não me colocaram em escolinha de futebol porcaria nenhuma! Claro que me enrolaram. Com a desculpa de ‘’lembra quando levamos você naquela escolinha, quando você tinha oito anos, e só tinha meninas de 16, muito maiores que você?’’ Não fiquei muito tempo no time de handebol. Saí antes de começar alguma competição.
E acho que foi isso mesmo. Gostaria de ter escrito isso tudo enquanto as coisas aconteciam, claro que nesse caso seria um diário, mas lembraria as coisas que aconteceram, por isso quero ‘’terminar’’ logo essa ‘’série’’, como já mencionei tantas vezes.
Enfim, conforme eu for lembrando, caso tenha mais alguma coisa pra lembrar, dou um jeito de escrever, ou até mesmo acabo escrevendo em postagens futuras.
Ósculos e amplexos...

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